O que muda com a morte de Bin Laden

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na noite de domingo (1º) – madrugada de segunda-feira no Brasil – que forças americanas mataram o terrorista saudita Osama bin Laden em uma operação em Abbottabad, no Paquistão.

Obama fez o anúncio com orgulho, e lembrou que, quando assumiu a Casa Branca, colocou a morte ou a captura de Bin Laden como a prioridade da segurança nacional dos Estados Unidos. Agora que os EUA conseguiram cumprir o objetivo que vinham buscando há dez anos, terão que se preparar para as mudanças que isso trará para a luta contra o terror, mas também para as relações com o Paquistão e para a política interna dos EUA.

Luta contra o terror

Bin Laden era o rosto mais famoso e importante da ameaça terrorista contra o Ocidente e sua morte deve ter efeitos diversos. O primeiro é positivo. Bin Laden era uma figura inspiradora para muitos fundamentalistas, capaz de recrutar novos terroristas. Sem ele, a Al Qaeda se torna uma organização sem cabeça, especialmente porque o egípcio Ayman al-Zawahiri, número dois do grupo cujo paradeiro é desconhecido, não parece capaz de herdar a liderança de Bin Laden. Assim, as várias franquias da Al Qaeda surgidas nos últimos anos Iraque, Iêmen e Norte da África devem entrar em uma disputa por predominância que pode minar a marca Al Qaeda por dentro. O que pode ser o lado negativo da morte de Bin Laden é que no islamismo, e particularmente para os fundamentalistas, o martírio tem um papel central na força da fé. Agora, o grande líder virou mártir, o que pode amplificar sua influência. Nos anos que se seguiram ao 11 de Setembro, Bin Laden viu seu grupo de auxiliares imediatos ficou muito menor, mas ao mesmo tempo conseguiu espalhar a ideologia da Al Qaeda.

Eleições de 2012 nos EUA

A morte de Osama bin Laden deve ter efeitos diretos nas eleições americanas do ano que vem. Durante quase oito anos, o republicano George W. Bush caçou o terrorista saudita, mas quem deu um fim ao arquiteto do 11 de Setembro foi o democrata Barack Obama. O presidente dos Estados Unidos deve, agora, experimentar uma forte alta em sua popularidade, baseada em uma onda de patriotismo por todo o país, que começou na porta da Casa Branca na noite de domingo, com centenas de pessoas cantando o hino americano diante da residência oficial do presidente americano. Com a morte de Bin Laden, Obama e o partido Democrata minam o argumento de que os republicanos são superiores ao cuidar da segurança nacional. Ainda que navegue em águas turbulentas por conta da recuperação econômica americana, Obama deve ter uma reeleição muito mais tranquila do que podia imaginar.

Relações EUA-Paquistão

Em seu discurso, Obama afirmou que manteve uma conversa com o presidente do Paquistão, Asif al Zardari, mas não esclareceu se o diálogo se deu antes ou depois da operação que matou Bin Laden. Essa informação será determinante para saber qual é o tipo de relação que a Casa Branca mantém com o governo de Zardari. Há anos, os EUA suspeitam que determinados elementos do governo paquistanês, especialmente dentro do ISI, o serviço de Inteligência, não apenas não ajudam os Estados Unidos como colaboram com o Talibã e a Al Qaeda.

Missão da OTAN no Afeganistão
A confirmação da suspeita de que Bin Laden estava no Paquistão – e não no Afeganistão onde costumava se esconder – deve gerar uma pergunta de difícil resposta do público americano e também do europeu. O que as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte estão ainda fazendo no Afeganistão se a Al Qaeda se mudou para o país vizinho¿ Diante dessa questão, Obama e seus colegas da Otan devem ter trabalho nos próximos meses para explicar a seus contribuintes quais são as razões para ser mantida uma que já dura dez anos e que já consumiu bilhões de dólares e euros, além de milhares de vidas.
Fonte: ÉPOCA
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