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Depois de 20 anos como articulista, Pr. Ricardo Gondim deixa revista Ultimato

Foi com muito pesar que li e retransmito a informação da saída do Pastor Ricardo Gondin, depois de 20 anos, da Revista Ultimato, a principal ou maior revista cristã em circulação hoje no Brasil e em alguns países. O estopim da saída da Ultimato foi a repercussão negativa de uma entrevista do Pastor concedida à Carta Capita – “O pastor herege” – com declarações “polêmicas” sobre Deus e sobre ser a favor da união civil entre homossexuais.

 Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros”, disse o pastor.  Entendo que as declarações poderiam passar despercebidas, uma vez que o pastor Ricardo Gondin não diz nada pavoroso. O Brasil é deveras um país laico. E não é uma pessoa ou pastor quem vai dirigir os rumos do direito, que sempre evoluiu com a sociedade. Meu entendimento.

Lembro aos leitores que não sou a favor da união entre pessoas do mesmo sexo. Não é bíblico, mas a Igreja tem que acordar para essa dura e triste realidade. Recentemente vimos de camarote o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovar, uniformemente, a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Nós, como Igreja de Cristo, como vamos tratar do assunto? E se a PLC 122 for aprovada? Estamos preparados para sermos presos em nome de Cristo?

Sem querer fazer defesa, entendo que as declarações de Gondin podem ter caráter analítico. Entendo também que, como pastor, líder espiritual e referência para muitos no meio Cristão, as declarações poderiam ter sido dosadas.

Abro mais um parágrafo para analisar uma posição dura e difícil. Já imaginou a Veja sem Diogo Mainardi ou o CQC sem Marcelo Tas? Lógico que ninguém é insubistituível, mas… Como será a Ultimato sem Gondim que trazia reflexões da alma, empurrões e puxões de orelha para o corpo de Cristo? Chamo atenção para a posição firme e, ao mesmo tempo difícil, que coube ao jornalista e diretor da Ultimato, Elben Lenz Cesar, e sua equipe editorial. Creio que a decisão foi difícil, mas foi para o bem da revista e, o que é melhor, respeita a opinião dos fiéis leitores.

Texto: Andrey Librelon

(Editor da revista Conteúdo Cristão)

  • Veja a reportagem completa e abaixo o depoimento do Pastor Ricardo

O pastor Ricardo Gondim, 54, da Igreja Betesda, escreveu em seu blog que, depois de quase 20 anos como colaborador da Ultimato, ele foi “convidado” pelo conselho editorial a “descontinuar” a sua coluna na revista. Ultimato é filiada à Associação Evangélica Brasileira e à Associação de Editores Cristãos.

Gondim foi informado pelos responsáveis pela revista de que suas declarações estavam criando desconforto e tensão. A gota d’água, segundo relatou o pastor, foi a entrevista que deu à revista Carta Capital na qual defendeu a união civil de homossexuais e a observância de que o Estado é laico. Aparentemente, ele foi defenestrado menos pelo que escrevia na revista e mais pelo que dizia em outros meios.

No blog, ao comentar o “convite”, ele reafirmou: “Em um Estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis”.

Gondim tem se destacado como um contundente crítico do movimento neopentecostal brasileiro. No começo do ano, publicou em seu blog o artigo “Deus me livre de um Brasil evangélico”, com a argumentação de que, se a maioria da população do país se tornasse evangélica, o puritanismo causaria uma devastação na cultura brasileira.

Pastor Ricardo Gondi se despede da Ultimato Foto: Olga Vlahou

Pastor Ricardo Gondin se despede da Ultimato Foto: Olga Vlahou

À Carta Capital, ele disse que o objetivo desses evangélicos é assumir cada vez mais poder político, tendo em vista, inclusive, as eleições presidenciais.

Gondim contou que outro motivo do seu desligamento da Ultimato foi sua afirmação de que “Deus não está no controle”.

Na entrevista, ele disse: “Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida”.

Antes de falar à revista, o pastor, por causa da mesma afirmação, já tinha enfurecido alguns dos evangélicos que o seguem no Twitter. Mas a sua entrevista gerou da parte de Klênia Fassoni, da Ultimato, a acusação de que é um “humanista”. Nas doutrinas do humanismo, o homem é senhor do seu destino – independe, portanto, de divindades. Gondim demonstrou ficar chateado com Klênia e escreveu que, sobre o seu “humanismo”, não se daria ao trabalho de reagir.

Ao jornalista Gerson Freitas Jr., da Carta Capital, Gondim (foto) disse que vem sofrendo muita pressão de seus pares por causa de suas afirmações. “Fui eleito o herege da vez”, afirmou. O que confirma agora a sua demissão da revista com o sugestivo nome de Ultimato.

  • Na íntegra, nota oficial do site de Ricardo Gondim:

Despeço-me da Revista Ultimato

Após quase vinte anos, fui convidado a “des-continuar” minha coluna na revista Ultimato. Nesta semana, recebi a visita de Elben Lenz Cesar, Marcos Bomtempo e Klênia Fassoni em meu escritório, que me deram a notícia de que não mais escreverei para a Ultimato. Nessa tarde, encerrou-se um relacionamento que, ao longo de todos esses anos, me estimulou a dividir o coração com os leitores desta boa revista. Cada texto que redigi nasceu de minhas entranhas apaixonadas.

Fui devidamente alertado pelo rev. Elben de que meus posicionamentos expostos para a revista Carta Capital trariam ainda maior tensão para a Ultimato. Respeito o corpo editorial da Ultimato por não se sentir confortável com a minha posição sobre os direitos civis dos homossexuais. Todavia, reafirmo minhas palavras: em um estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis.

O reverendo Elben Lenz Cesar, por quem tenho a maior estima, profundo respeito e eterna gratidão, acrescentou que discordava também sobre minha afirmação ao jornalista de que “Deus não está no controle”. Ressalto, jamais escondi minha fé no Deus que é amor e nos corolários que faço: amor e controle se contradizem. De fato, nunca aceitei a doutrina da providência como explicitada pelo calvinismo e não consigo encaixar no decreto divino: Auschwitz, Ruanda ou Realengo. Não há espaço em minhas reflexões para uma “vontade permissiva” de Deus que torne necessário o orgasmo do pedófilo ou a crueldade genocida.

Por último, a Klênia Fassoni advertiu-me de que meus Tweets, somados a outros textos que postei em meu site, deixam a ideia de que sou tempestivo e inconsequente no que comunico. Falou que a minha resposta à Carta Capital sobre a condição das igrejas na Europa passa a sensação de que sou “humanista”. Sobre meu “humanismo”, sequer desejo reagir. Acolho, porém, a recomendação da Klênia sobre minha inconsequência. Peço perdão a todos os que me leram ao longo dos anos. Quaisquer desvarios e irresponsabilidades que tenham brotado de minha pena não foram intencionais. Meu único desejo ao escrever, repito, foi enriquecer, exortar e desafiar possíveis leitores.

Resta-me agradecer à revista Ultimato por todos os anos em que caminhamos juntos. Um pedaço de minha história está amputada. Mas a própria Bíblia avisa que há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Meu amor e meu respeito pela família do rev. Elben, que compõe o corpo editorial da Ultimato, não diminuíram em nada.

Continuarei a escrever em outros veículos e a pastorear minha igreja com a mesma paixão que me motivou há 34 anos.

Fonte: O Galileo

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