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Jovem pianista que “viajou” pelo mundo das drogas encontra apoio e amor

Arte e fé transformam a vida do pianista André Marques Dutra

Arte e fé transformam a vida do pianista André Marques Dutra

 

Colaborou Adriana Queiroz 

Ele nasceu numa região conhecida pelo cenário de grandes acontecimentos durante o período do Império no Brasil. Além de abrigar o valioso histórico e cultural do país, Petrópolis conta com lindas serras de beleza inigualável.

Fã do compositor, músico, cantor e arranjador brasileiro Egberto Gismonti considerado um virtuoso da música instrumental popular, o pianista André Marques, 28 anos, fez sua primeira apresentação em Montes Claros brindando o público com releituras de Gismonti.

– Nunca tinha ouvido falar de Montes Claros, vim exclusivamente para participar do Projeto Resgate em Novo Horizonte e Espinosa, no Norte de Minas, e aí conheci uma pessoa muito especial, que é hoje minha noiva, a Fernanda. Vim para ficar uns ficar 15 dias, e agora, em julho, no aniversário da cidade, lá se vão dois anos que estou morando aqui – conta André.

O Resgate é um projeto comprometido com o evangelismo, ministrações, palestras e aconselhamento. A missão do projeto é levar amor, esclarecimento, informação, vida, orientação espiritual às tribos diversas, pessoas, igrejas e ministérios tendo como referencial a Bíblia.

André diz que embora tenha se preparado para um curso de vigilante, antes de vir para Montes Claros, ficou sem emprego durante três meses.

 

– Não sabia do potencial musical daqui. Não vim para trabalhar com música. Já conhecia a história do conservatório de música Lorenzo Fernândez, mas procurei emprego na área de segurança. Mas nada consegui. Até que um dia ouvi falar da Terça Musical, me inscrevi nesse projeto e em agosto de 2009, fiz um concerto com releituras de músicas regionais e do cantor e compositor Egberto Gismonti. Depois procurei o professor Normando no conservatório, e aí apareceram uns convites para eu tocar em casamentos. Conheci também o Roberto Mont´Sá, deixei meu currículo e a coisa foi fluindo. Uma coisa chama a outra. Hoje sou professor em uma escola particular de música, faço Psicologia na Funorte, continuo tocando em casamentos e recepções e acompanho cantores e outros músicos em eventos – conta.

Referências

André fala com carinho da família que tanto o influenciou em sua trajetória, na sua luta contra as drogas e que pretende em breve, homenagear sua mãe num projeto só de músicas cristãs, inspirado nos hinos do Cantor Cristão, um livro de músicas cristãs tradicionais de várias épocas, publicado pela CBB-Convenção Batista Brasileira, em 1907. Em sua totalidade o Cantor Cristão contém 581 hinos de edificação a Deus.

– Tenho um irmão, o Ricardo, músico, mas que não vive da música, é engenheiro. Me lembro dele tocando violino e minha mãe, dona Elza, que cantava o dia inteiro. Na verdade, minha mãe é uma apaixonada pelos hinos cristãos. Quero homenageá-la num projeto meu, intitulado Músicas para orar, um CD só de piano. Noventa por cento serão músicas do Cantor Cristão. Você coloca o CD e vai orar. A ideia também é levar aos centros de recuperação e igrejas – diz.

Envolvimento com as drogas 

André também passou pelo deserto da vida. Se envolveu com a cocaína e com o crack, drogas que têm acabado com a saúde física e mental dos viciados, causando danos no cérebro rapidamente, com a destruição de neurônios, entre outros.

– Aos oito anos, não sei por que, eu, filho de pais missionários, desviei do caminho. Comecei a beber, a fumar um cigarrinho e por aí afora. Me casei aos 17 anos, separei com 20, sou pai de uma filha de dez anos. Me envolvi com coisa mais pesada e o negócio começou a tomar uma proporção grande. Precisei sair de Petrópolis e fui para o Espírito Santo me internar.

Lá conheci a cocaína e o crack. Uma loucura! Experimentei quase tudo do crack, morei na rua, tudo que um noia (de paranóia mesmo) faz, eu fiz-conta.

TRAJETÓRIA

André começou a estudar música muito cedo. Dos 4 para os 5 anos já estudava piano erudito no conservatório brasileiro de Música. Aos 8 já havia completado o curso e aos 12 fez harmonia funcional – parte da harmonia popular, do jazz, do blues. Estudou com o húngaro Ian Guest, a referência da harmonia funcional do Brasil.

– Só que aí desviei meu foco da música clássica para a popular. Nesse meio tempo comecei a tocar no coral de senhoras na Primeira Igreja Batista de Petrópolis, aos sete anos mais ou menos. Toquei nas bandas da igreja, estava sempre envolvido com tudo isso – diz.

Aos 12 anos, André já era professor nas escolinhas de música, nos cursos livres de música em Petrópolis.

Aos 20 anos foi para o Espírito Santo e participou do coral da Petrobrás e do coral UFES – universidade federal do Espírito Santo. Foi lá que também ingressou no curso de licenciatura em música na FAMES – Faculdade de Música do Espírito Santo.

Aconchego e apoio dos montes-clarenses

André hoje é bolsista do curso de Psicologia da Funorte, além de ser bastante requisitado para tocar em casamentos e eventos na cidade. A noiva Fernanda, com que vai se casar ano que vem, é para ele, um presente de Deus em sua vida.

– Aqui, em Montes Claros, percebo a falta de incentivo em relação à arte, faz falta um centro cultural que corresponda. Só existe um, pequeno, numa cidade com tantos músicos. Mas aqui, como eu disse antes, encontrei a Fernanda. Depois de seis meses que eu a conheci, liguei para ela e disse que iria me internar. Mas ela ficou do meu lado. Segurou as pontas. Fiquei internado um ano e três meses. Nesse tempo eu a vi, duas vezes, outras nos falamos pela internet ou telefone – conta.

André também fala da participação dos pais em seu tratamento. De como foi bom descobrir o pai que sempre esteve ao lado.

 

– Meus pais fizeram o tratamento comigo. Aí deu certo. Isso faz a diferença. Meu irmão me visitou quando eu estava internado. A gente se perdoou. Busquei de Deus, senti Dele de vir pra cá. Aí eu perguntei. O que vou fazer lá? Só sabia tocar piano. Vim igual Abraão e Deus me guiou. Liguei para meu pai e pedi o dinheiro só de ida para Montes Claros. Ele me perguntou se eu tinha certeza. Eu disse que sim. Hoje me dou muito bem com meus pais, temos papos sobre assuntos mais íntimos. Não sabia o amigo que eu tinha – revela.

 

André conta que até hoje não lhe faltou nada. Ele tentou ingressar no curso de Música, mas sem êxito. Até que resolveu então enveredar para a Psicologia.

 

– Passei no vestibular, conversei com a Raquel Muniz e graças a Deus já estou indo para o 2º período de Psicologia. Estudo na Funorte e toco piano nos eventos da instituição – diz.

 

Nesta semana, André vai apresentar um projeto na faculdade cujo tema é A importância da música no tratamento psicológico de pessoas portadoras de transtornos mentais. Está todo entusiasmado e diz que em breve pensa em trabalhar também na formação de tecladistas dentro das igrejas.

– O curso terá um custo menor e será o mesmo curso que ministro em escolas, da mesma maneira – diz.

 

André também participa de um projeto duas vezes por semana no Facela, comunidade rural de Montes Claros, onde desenvolve um trabalho evangelístico com crianças, mas que em breve pretende trabalhar especificamente com música. Uma equipe atende os pais, outra as crianças, e juntos fazem momentos de louvor e de oração.

 

– Pretendo, quando formarmos, eu na Psicologia e a Fernanda em Serviço Social, desenvolver projetos nessa área, de uma maneira mais profissional, montar uma ONG, ajudar as pessoas. Eu quando criança vi diversas vezes, meu pai ajudando as pessoas, quero fazer o mesmo – conta.

Para o jovem que queira se dedicar à música ele dá um conselho:

 

– Seja o melhor e de preferência, utilize a música para ajudar as pessoas. Quer seja nos asilos, casas de recuperação, orfanatos, enfim, promova momentos de paz!

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