Crentes e com samba no pé

 

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”.

Presente na poesia, na essência de todo brasileiro e dentro das igrejas, o samba, considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, para muitos, não é apenas um ritmo, mas sim algo que surge de dentro, como canção que expressa um estado da alma.

Foi assim nos morros, nas favelas e tem sido assim nos anos em que, descendo o morro, conquistou de vez a proeminência dos ritmos brasileiros, da sociedade e da igreja moderna.

Não é à toa que o Brasil é visto como o “país do samba”. Desde sua origem, a alusão à Deus é assunto bem comum nas letras do bom samba brasileiro. A voz do morro, o samba, como dizia a canção interpretada por Zé Kéti, muitas vezes no passado calada, excluída, porém nunca esquecida, pelo maior de todos os poetas e autor de nossas vidas pede passagem aos outros estilos para adorar ao Deus Vivo com toda a sua cadência. No compasso do criador, com muito swing, samba no pé e Jesus no coração é que no ano de 2009 surge em Guarulhos, São Paulo, o Grupo “Samba Graça e Paz”.

Fundado por Elson e Rita e formado Por Élson e Wellington (percussão); Jhonny (violão);Wesley (cavaquinho); Elton (contrabaixo); Felipe e Rodrigo (teclados) e o vocalista Fabinho. Sem pregar religião, mas preocupados com a verdade que liberta, os bambas falam sobre a história do samba e também sobre o objetivo do grupo:

“O samba surgiu da mistura de estilos musicais de origem africana e brasileira. É tocado com instrumentos de percussão (tambores, surdos, timbau) e acompanhado por violão e cavaquinho. Geralmente, as letras de sambas contam a vida e o cotidiano de quem mora nas cidades, com destaque para as populações pobres, retrata o sofrimento. O termo samba é de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais do continente. O primeiro samba de que se tem notícia foi composto em 1916, por Donga e Mauro de Almeida: “Pelo telefone”. Fez grande sucesso.

A inovação tecnológica do telefone inspirou a composição, que ganhou depois várias versões. Na década de 20, o samba consolidou-se com um formato mais definido, nos morros e subúrbios cariocas, afastando-se de gêneros como a marcha e o maxixe. Blocos ganhavam nome e importância nos bairros, prenunciando as escolas de samba que conhecemos hoje.

Grandes compositores começavam a gravar seus nomes na música popular brasileira, como Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Sinhô, Pixinguinha, Ismael Silva, Lamartine Babo, Ary Barroso e o talentoso Noel Rosa, que em apenas 27 anos de vida deixou dezenas de obras-primas do samba e sucessos, verdadeiras crônicas dos costumes do Rio.

O samba moderno urbano surge à partir do início do século XX, tem ritmo basicamente 2/4 e andamento variado, com aproveitamento consciente das possibilidades dos estribilhos cantados ao som de palmas e ritmo batucado, e aos quais seriam acrescentados uma ou mais partes, ou estâncias, de versos declamatórios. Esse samba é tocado por instrumentos de corda (cavaquinho e vários tipos de violão) e variados instrumentos de percussão, como o pandeiro, o surdo e o taborim.

Por influência das orquestras norte-americanas, em voga à partir da Segunda Guerra Mundial, e pelo impacto cultural da música americana no pós-guerra, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes, e, por influência do choro, flauta e clarineta, com o passar dos anos, surgiram mais vertentes desse samba “nacional” urbano carioca, que ganharam denominações próprias, como o samba de breque, o samba-canção, a bossa nova, o samba rock, o pagode, entre outras.

O samba também chega com toda força dentro das igrejas evangélicas, recebendo o nome de “samba gospel”, provando que adoração não tem nada a ver com estilo musical, mas com um momento de intimidade com Deus.

Grupos como a Banda FO, Radicais na fé, Exodus, Renascer do samba, começam a escrever essa história. Sem contar os grandes sambistas do secular, que através da conversão, trouxeram suas experiências e contribuições para o samba gospel. Destaque foi o Bezerra da Silva, que em 2001 se converteu, frequentava a Igreja Universal do Reino de Deus e chegou até a gravar um CD Gospel. Esse, que escrevia muito sobre a malandragem, deixou claro que “malandro é malandro, mané é mané e cristão é cristão”.

Somos daqueles que acreditamos que Deus e samba dá uma conversa bem afinada! O grupo Samba Graça e Paz se preocupa em evangelizar e mostrar essa sintonia. O principal objetivo é alegrar o público com este ritmo popular brasileiro, cantando letras voltadas à Deus, e sempre falando de paz que só encontramos em Jesus. Não pregamos religião, falamos sobre intimidade. Além de levar a verdadeira alegria para um povo que sofre a cada dia pelas circunstâncias da vida.” concluem.

A primeira apresentação do grupo foi na Philips, em Guarulhos e, depois, no Memorial da América Latina, com o sambista Juninho do Banjo, Ex-Katinguelê, que foi uns dos grupos mais conhecidos na década de 90. Depois desse episódio, não pararam mais. Todo o final de semana, procuram se organizar para cumprir uma lotada agenda de compromissos com ministrações, entrevistas e shows.

“Tudo para glorificar à Deus”, garante Elson, líder do grupo. Em abril de 2011, lançaram o primeiro CD “Uma História”, com duas faixas ao vivo. Uma delas, com a participação de Clovis Pinho, vocalista do Renascer Praise, na faixa “Uma História”, música de trabalho do CD, participaram também Juninho do Banjo, X-Barão e Nice Garcia. A gravação foi no Teatro Ponte Alta, com mais de 400 pessoas, empresariados por Cida Rodrigues e com a Ministração do Bispo Saulo Moura. Lançamento esse que ficou marcado para sempre na vida dos integrantes do grupo.

Ainda no mesmo ano, se apresentaram em vários eventos espalhados pelo Brasil e assinaram contrato com a agência e gravadora MR1, que agora representam comercialmente e cuidam da imagem do grupo. Planos para o futuro, têm muitos, mas os principais são: levar a palavra de Deus através do samba à todos que precisam de salvação, continuar fazendo shows em todo o Brasil, se aproximar e intensificar relacionamento com a imprensa gospel e laica, pois valorizam a importância dos formadores de opinião na propagação do evangelho e investirem em mais e mais tempo com Deus.

Em 2012, outra grande novidade será a participação do grupo no Espaço Samba Gospel, dentro do Salão Internacional Gospel, onde vai acontecer uma grande roda de samba em que até os mais conservadores vão

acompanhar na palma da mão. Parado, ninguém fica avisa o grupo. Com muito swing, é importante sacudir o esqueleto e ter molejo, mas, sem esquecer o principal, que é cuidar da alma.

Colaborou

Luciana Mazza

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