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Nos bares da vida: Músicos profissionais tentam encontrar seu lugar nas igrejas

NA DIREÇÃO CERTA ‘’Talento não deve ser usado exclusivamente para a Igreja, mas deve caminhar com o músico’’, diz Rael Fotos: Andrey Librelon/CC

Andrey Librelon

Revista Conteúdo Cristão

 

Poucos podem se dar ao luxo de viver da música e tratando-se da igreja ai é que a situação torna-se mais complicada. O lugar da música na igreja não está definido, a situação do músico cristão, que é profissional, muito menos. Em um dos seus artigos sobre a música na igreja, o pastor Nelson Bomilcar, conhecido no Brasil pelas suas composições e produções musicais, afirma que “em nosso mundo evangélico brasileiro ainda se questiona se o músico ou artista pode exercer seu dom e capacidade de forma profissional e não só de forma amadora”. Muitas dúvidas surgem: Pode o músico tocar na igreja e fora dela? Quais músicas pode tocar? Pode receber para isso, fazendo shows? E pode receber da igreja quando ministra o louvor.

Infelizmente, não há respostas nem consenso para essas e outras questões. Alguns consideram que há muita ignorância teológica sobre o uso das artes em geral, parecendo inclusive que esta dimensão está excluída de uma vida cristã saudável. Neste contexto, critica-se aquele que se apresenta em orquestras, em bares e aquele que recebe para fazer apresentações. Muitas igrejas e pastores não só do norte de Minas, mas de todo o Brasil, é taxativa em não abrir mão dos seus músicos para o “mundo”. Exigem dedicação exclusiva, sendo que grandes igrejas e ministérios remuneram os músicos que trabalham em tempo integral para a casa de Deus. O problema surge quando a igreja não tem condições de bancar seus músicos, que dependem disso para se sustentar.  Como proceder?

Levita remunerado

Muitos músicos profissionais que se convertem ficam no meio de um fogo cruzado. Isso porque prevalece a ideia de que ele deve “abandonar” o mundo e a “velha” vida, diferentemente de outros profissionais (médico, dentista, professor, bancário, etc.) que podem continuar exercendo normalmente sua profissão, como se elas fossem santas e sem considerar que em qualquer área os profissionais estão sujeitos a tensões, cabendo a eles se posicionarem com ética e a moral cristãs.

Israel Moreira Santos, Rael Batera, é baterista da Primeira Igreja Batista de Montes Claros. Nascido num berço cristão, começou a tocar o instrumento na própria igreja. Sua pegada tem influências de nomes consagrados como Serginho Herval, eterno Roupa Nova, Alexandre Aposan, que empresta seu talento quase que exclusivamente ao Oficina G3 e o baterista Louie Wear, da banda Petra. De lá para cá, se profissionalizou e diz não viver mais esse terrível dilema: tocar dentro e fora da igreja.

Rael considera que o talento não deve ser usado exclusivamente para a Igreja, mas deve caminhar com o músico. “A música é um talento dado por Deus, mas a nossa vida, nosso ministério, tudo o que somos e temos tem que ser dedicado ao Senhor e usado com excelência, seja dentro ou fora da igreja. O que diferencia um profissional do outro é o caráter e o seu profissionalismo e, principalmente, seu testemunho”, pondera.

Sobre uma certa pressão sobre os músicos da igreja e a falta de incentivo dos líderes, ele explica que, embora os músicos devam fazer a obra de Deus com perfeição, é visível a falta de apoio, incentivo e até de recursos materiais em algumas igrejas.

PROFISSÃO: ‘’Trabalhar com música é tão digno quanto qualquer outro trabalho’’, diz o músico André Wanzeler

André Wanzeler, 24, filho de pastor e músico da Igreja Quadrangular da Vila Brasília, é outro consagrado baterista da região que, com certa frenquência, empresta seus dotes para cantores como Fernandinho, Wesley Ros, Davi Sacer, entre outros. Ele é de mesma opinião. Para ele, trabalhar com música é tão digno quanto qualquer outro trabalho. Baterista profissional, ele tocou durante 10 anos no meio secular, acompanhado vários ritmos musicais. Lembra que algumas vezes teve que rejeitar certas músicas e não considera que seja o melhor lugar para se estar devido às diferenças peculiares do cristão.

Eis o ponto fundamental da discussão sobre se permitir as apresentações de músicos profissionais cristãos em qualquer meio. Os ambientes nem sempre são os melhores para jovens, as letras de músicas fazem apologia extrema ao sexo, quando não exaltam até mesmo entidades de outras religiões.

Wanzeler hoje continua trabalhando com música, mas se diz mais aliviado por não estar mais no meio das pressões, já que praticamente não toca mais no meio secular. A igreja precisa enfrentar de vez a questão abraçando seus músicos, em sua maioria jovens, que necessitam de apoio espiritual, por meio de discipulado próprio que os instrua sobre como ter sabedoria no uso de seus talentos. Não é difícil compreender que o músico precisa de espaço e oportunidade, para que ele possa servir a Deus na igreja com alegria, humildade e excelência e fora dela para que mostre que é possível um artista servir a Deus exercendo sua profissão com dignidade.

O crescimento de oportunidades no ambiente evangélico aumentou muito, para a atuação profissional e ministerial, e a música cristã ou gospel representa 30% da produção fonográfica nacional. Mas as oportunidades dos músicos de exercitarem sua profissão ainda são escassas em nosso país. A maioria deles consegue sustento dando aulas, gravando, e tocando em festas, casamentos, orquestras e coros, e poucos, com artistas expostos na mídia.

Mais de 70%  dos artistas das grandes orquestras e coros dos grandes centros e também os populares saíram de igrejas evangélicas. A igreja não pode se conformar com esta perda, porque não oferece oportunidade melhor às pessoas com talento musical, mas deve buscar saídas, inclusive quanto ao sustento daqueles que estão se dedicando, profissional e continuamente, a este trabalho e ministério na igreja local.

(*) Andrey Librelon é jornalista, estrategista em Mídias Sociais e editor da Revista Conteúdo Cristão

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