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“Decepcionei os fãs por superstição”, diz Hélio de la Peña

O humorista fala da grosseria que cometeu para não acabar com a sorte de seu time num dia de jogo (e parece que não aprendeu)

HELIO DE LA PEÑA Humorista, um dos criadores do grupo Casseta & Planeta (Foto: Alex Carvalho/CGCOM)

“Muita gente sabe da minha paixão por futebol, em especial pelo meu Botafogo. Paixão não se explica, é algo irracional, conversa em que os neurônios ficam de fora. Nessas horas, tomamos atitudes estranhas. Foi o que ocorreu num sábado, em março de 2010.

Chegava eu ao Maracanã, antes do fechamento para as obras da Copa de 2014. O Botafogo jogaria contra o Fluminense a semifinal da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca. Tensão total. Andava apressado para não perder o início da partida, quando fui abordado por uma mãe com seus dois filhinhos tricolores.

– La Peña, pode tirar uma foto com meus filhos? Eles são seus fãs!

Parei, indeciso. A superstição falou mais alto:

– Sabe o que é. Não gosto de tirar foto com a torcida adversária antes do jogo…

A moça não acreditou, pensou que era uma piada. Não era. A superstição gritava dentro de mim. As crianças uniformizadas da cabeça aos pés me olhavam atônitas. Fiquei com o coração partido. Se o jogo for decisivo, fico mais maníaco que o Rei Roberto Carlos. Não faz sentido, pensando friamente. Mas nessas horas o torcedor não pensa friamente. Ele gostaria de estar em campo chutando a bola ou atrapalhando a visão do goleiro rival – qualquer coisa que pudesse ajudar meu time a faturar os três pontos. Penalizado pelas crianças, culpado pela atitude, fui caminhando para as cadeiras. Parei e resolvi voltar. Procurei a mãe, resignado.

– Tudo bem, vamos tirar a foto.

Ela não quis. Disse que os meninos já tinham ficado constrangidos.

Segui meu caminho e me juntei à torcida alvinegra, com a consciência pesadíssima. A partida teve contornos dramáticos. O Botafogo abriu o placar com um gol de Loco Abreu. Ainda no primeiro tempo, Fred fez dois gols e virou o jogo. Na etapa final, Fahel e Caio reviraram o resultado. Meu time avançava para a final daquele turno contra o Flamengo. Desci a rampa, radiante.

Mais ou menos no mesmo ponto do fatídico episódio, um senhor se aproximou com um garoto, também tricolor, e pediu uma foto. Topei na hora. O senhor disse, então:

– Agora, depois do jogo, tudo bem, né?

Estranhei aquela conversa. Intrigado, perguntei:

– Por acaso o senhor estava aqui quando passei antes do jogo?

– Não – respondeu ele. – Mas quando cheguei tinha uma moça falando mal de você para todo mundo.

Meu amigo e eu caímos na gargalhada. Ela tinha razão em queimar meu filme. Pelo resultado, eu também tinha razão em acreditar na minha maluquice. Hoje, faço diferente. Sempre que essa situação se repete, me lembro da mãe e de seus dois filhinhos. Cruzo os dedos, tiro a foto e torço para aquilo não influenciar na sorte do meu time. Mas, confesso, se der para evitar, prefiro não posar.”

Fonte: Época

O melhor do texto é o final. O cara ainda continua supersticioso. Um verdadeiro comédia, não é gente?

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